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A Educação para Kant

Lucas Santos Correia Kant em seu livro Sobre a Pedagogia, ele concebe a educação subdividida em física ou prática. Entretanto, o elemento central em torno do qual ele articula a reflexão é a formação do caráter. Se, na educação física, o processo consiste em cuidados com o corpo, com a saúde, com nossa vida material ou em formar hábitos saudáveis, na educação prática, formar o caráter envolve fundamentalmente o desenvolvimento da virtude, isto é, a capacidade que o indivíduo desenvolve em si de agir conforme o dever, que, por meio da razão, ele estabelece para si mesmo. Na educação tudo depende de uma coisa: que sejam estabelecidos bons princípios e que sejam compreendidos e aceitos pelas crianças. Estas devem aprender a substituir ao ódio o horror do que é nojento e inconveniente; a aversão interior em lugar da aversão exterior diante dos homens e das punições divinas; a estima de si mesmas e a dignidade interior em lugar da opinião dos homens; o valor intrínseco do comportamento...

As virtudes em Kant

Lucas Santos Correia Para Kant a doutrina da virtude constitui-se da doutrina geral dos deveres que dizem respeito à liberdade interna, enquanto que para o exercício da doutrina do direito se requer a liberdade externa. Nesse sentido cabe esclarecermos que Kant explica que, outrora, o termo ética significava doutrina dos costumes em geral, que também se chamava doutrina dos deveres. Depois se considerou conveniente que o termo ético se restringisse a uma parte da doutrina dos costumes ou doutrina dos deveres, que não estão submetidos às leis externas, passando a ser chamada na Alemanha de doutrina da virtude. A partir de então o sistema da doutrina universal dos deveres foi dividido em sistema da doutrina do direito, o qual se refere às leis externas e em doutrina da virtude, que se refere às leis internas de cada indivíduo. Kant, em sua obra A Metafísica dos Costumes, ao tratar do conceito de virtude em geral, o define inicialmente como a fortaleza moral da vontade. Mas, logo acr...

A MORAL NO PROCESSO EDUCATIVO

Lucas Santos Correia Kant enfatiza em toda a sua obra educacional a necessidade do desenvolvimento do caráter do homem e o compromisso da criança e do homem com o dever. Essa preocupação é ilustrada em sua descrição de várias máximas e de como elas deveriam produzir certos resultados através da educação. Para Kant, máxima é a regra de conduta considerada por aquele que a adota como válida para sua própria vontade, sem referência à de outrem. Uma máxima é definida assim como um princípio subjetivo da vontade e distingue-se do princípio objetivo ou “lei prática”. Enquanto esta última é válida para todo e qualquer ser racional e constitui um princípio de acordo com o qual ele deve agir. A máxima contém a regra prática que a razão determina de acordo com as condições do sujeito (frequentemente, sua ignorância ou inclinação) e é, portanto, o princípio de acordo com o qual o sujeito age. As máximas, portanto, devem originar-se no ser humano. Nesse sentido, exemplifica Howard A. Ozmon,...

“A QUESTÃO DO SER NO ENTE E ESSÊNCIA DE TOMÁS DE AQUINO”

Lucas Santos Correia Resumo : O livro Ente e a Essência é uma das principais obras de Tomás de Aquino, na qual o ser é definido de acordo com a cultura cristã. Nesse texto, o filósofo debate questões advindas da metafísica aristotélica. Um dos temas centrais dessa obra é a diferença entre substância simples e composta. Palavras-chave : Ser. Substâncias Simples. Substâncias Compostas. INTRODUÇÃO Tomás de Aquino teve um papel fundamental para a História da Filosofia. Em um contexto marcado profundamente pela religiosidade cristã, que começou a receber influência do pensamento aristotélico, advindo da divulgação das obras de Aristóteles pelos árabes, Santo Tomás conseguiu fazer uma síntese notória entre razão e fé. E é nesse contexto que o Aquinense escreve O Ente e a Essência , síntese da metafísica tomasiana, que de uma maneira muito inovadora assume o pensamento pagão aristotélico na cultura cristã, e que tem sua influência até os dias de hoje. Neste artigo, serão apresenta...

Homem Tirânico no século XXI

Lucas Santos Correia No pensamento de senso comum a injustiça sempre traz menos felicidade que a justiça, tanto em relação aos indivíduos quanto em relação à organização da polis. Acabamos de ver que para chegarmos ao um dado certo de justiça e injustiça de justo ou injusto é preciso analisar as aparências de justiça. Na nossa sociedade de hoje é muito nítido perceber que as pessoas que buscam a justiça não têm uma vida feliz. A vida da pessoa se descontrói, acaba sendo consumida pelo poder do homem tirano. Ele que não se encontra na busca de uma vida feliz acaba atraindo outras pessoas. O homem que tem o poder em suas mãos e que não busca a justiça e não é digno consigo mesmo, isso faz com que a vida da pessoa se destrua, acabando com a felicidade dela. A falta de leis ou o não cumprimento das leis também é um caso sério para nossa sociedade. “Numa total anarquia e ausência de leis, praticará todas as espécies de audácias, pois é o único que manda e que conduz os súditos, ta...

O homem justo e injusto

Lucas Santos Correia Sobre a origem e a natureza da justiça em tempos passados não havia nem justiça nem lei. Cada um fazia o que desejava. Mas isso causava mais sofrimento do que felicidade, pois ninguém podia fazer o que queria sem sofrer as consequências. Daí surgiu à necessidade do acordo sobre a obrigação de não se prejudicar ninguém para também não se ser prejudicado. Desse acordo nascem as primeiras leis, e justo passa ser aquilo que é conforme as leis e injusto o que é contrário às leis. No livro IX o personagem Glaucon propõe realizar a seguinte tarefa: afirma o que deva ser a justiça e sua origem, em seguida demonstrar que todos que a praticam o fazem por obrigação e não por escolha própria, pois, segundo ele, “(…) é natural que procedam assim, porquanto, afinal de contas, a vida do injusto é muito melhor do que a do justo, no dizer deles.” (cf. 358c). Desta forma, Glaucon argumenta que a justiça tem sua origem em leis que impedem a prática da injustiça e oferece o exem...

Vida Feliz e Infeliz

Lucas Santos Correia O desafio de Platão é de demonstrar de como o homem justo pode ser mais feliz que o homem injusto, especialmente quando este, transforma-se num tirano. Platão afirma que o homem melhor é o mais justo e o mais feliz. Para ele o homem só atingirá a felicidade quando abandonar o mundo A posição de Platão é clara, para ele todos os homens aspiram à felicidade. Platão condena a busca do prazer. A cidade que possui um governo régio é melhor. Aquela que possui um governo tirânico é pior. Desse modo, demonstra que não há cidade mais infeliz do que a tirânica e mais feliz do que a da realeza. “... para Platão, é necessário recordar (...) a tirania é uma forma de denúncia da escravidão real e psicológica do homem, a pior forma de  domínio de um sobre o outro” (PAVIANI, pág.39-56, 2002 ). Se a cidade e o indivíduo se parecem, é possível considerá-los de modo alternado. Essa relação, no entanto, não pode ser entendida a partir dos conceitos atuais de Estado...